SIMONE LENTZ

Wednesday, November 29, 2006

A LÓGICA DA EXCLUSÃO E OS SEUS SINAIS NA EDUCAÇÃO

Tanto o Ensino Médio quanto o Ensino Fundamental trabalham na lógica do mercado. A escola reflete as práticas, o modela da sociedade. Por exemplo, quantas pessoas não têm acesso ao trabalho, à saúde, ao lazer? A mesma prática de exclusão acontece em relação à educação. Há uma exclusão de todas as condições básicas da população.
O que se exclui na sociedade, se exclui também dentro da escola. Há fatores dentro da escola que afastam o aluno: o conteúdo que não diz nada da realidade dele, a avaliação que é classificatória, seletiva. O aluno não tem condições de superar isto por si, porque a escola trabalha nesta direção. Ainda há os fatores externos: a questão do trabalho. Se o aluno é pobre, tem que sair para o trabalho, para buscar sustento. E muitas vezes a pessoa não tem resistência física para enfrentar três jornadas: trabalhar, estudar e cuidar da casa. E, para o trabalhador, fica difícil encarar a escola depois de oito horas ou mais de trabalho.

A LÓGICA DA HUMANIZAÇÃO

A Constituição brasileira garante a todos os cidadãos o direito à educação. Estes direitos, porém, não são respeitados. Existe lá o direito à moradia, à educação, ao trabalho, ao lazer. Numa sociedade de mercado, numa lógica de globalização, os direitos ainda não saíram do papel.
O direito de estudar está ali, mas não há condições de vida para que a pessoa possa estudar. É como o direito de ir para o exterior; cada um tem, teoricamente, esta liberdade. Mas faltam condições para estar na escola. Falta alimentação, moradia, saúde, que são as condições mínimas para aprender.
Para reverter esta situação é preciso um outro caminho, um outro modelo, uma outra teoria. E esta teoria que a gente vai buscar tem que ser fundamentada na humanização. Não existe uma outra teoria que possa sustentar esta nova prática. E já existem experiências muito eficazes de escolas que trabalham com a lógica da humanização.
E como se faz esta transformação? Penso que o primeiro passo seja a consciência de que este trabalho não pode ser individual. Ninguém faz nada sozinho. É preciso ser uma decisão política, pedagógica, para fazer com que a escola seja de fato uma escola de inclusão.
Uma outra questão: Como trabalhamos em redes, pública ou privada, municipal, estadual, etc; É necessário que exista um suporte de políticas públicas. São 400 anos de escolas no Brasil. E para fazer esta transformação não adianta colocar uma roupa nova numa estrutura velha. A escola tem que fazer uma opção; É evidente que se deve partir da utopia da esperança de que é possível uma outra escola, assim como é possível um outro mundo, uma outra sociedade. Não vamos construir uma sociedade diferente se não trabalharmos na perspectiva de um mundo de idéias também diferentes e de novas possibilidades.
É claro que uma transformação vai provocar conflitos. Mas a escola tem exatamente este papel de provocar confronto de idéias e aspirações para que daí surja o novo. Por tanto a escola tem que trabalhar com os conflitos, tem que “tumultuar”, tem que ser um centro de debate público e permanente. Só assim ela vai encontrar o seu lugar e a sua contribuição neste processo de construção da nova sociedade.

Vera Regina Machado Kaminski – Educadora na Rede Estadual Pública em Ijuí, R/S.


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